nacional

 Simbora 
 

Guga Stroeter; Isto É Gente; 13/12/1999

 

Sete produtores musicais agregam modernidade ao caldeirão étnico de Daúde

Simbora, o novo CD de Daúde, contém 14 remixes assinados pelos produtores Dudu Marote, Will Mowat, BiD, Tuta Aquino, Carlos Trilha, Fernando Morello e pelo saudoso Suba.

Tudo é coerente no álbum desta cantora, que fez apenas radicalizar o seu caminho artístico vinculando a música ao prazer de dançar.

O repertório fundamentalmente brasileiro, que recria canções dos tropicalistas Gil e Caetano, traz também Carlinhos Brown e Luiz Tatit e ainda investe numa viagem ao sertão, retomando o compositor Patativa do Assaré e pregões de embolada nordestina. 

A essência do trabalho, portanto, é alimentada pelo folclore, que, por sua vez, ao ser processado por samplers e computadores, ganha a dimensão da world music étnica e passa a dialogar com a cítara indiana, os tambores da África e os melismas do canto árabe.

Temos então uma conexão entre o mourisco e o sertão nordestino, que nos leva a vínculos culturais ainda mais profundos.

Daúde recorre também aos revivals e, como tantos outros artistas atuais, tem como "música de trabalho" uma versão para o português de "Venus", canção dos anos 70 que habita o inconsciente coletivo das boates.

O que interessa é a festa, é levar todas essas informações para a transe cinética das pistas de dança, objetivo plenamente alcançado neste trabalho.

Os efeitos de mixagem de Simbora fundem definitivamente a MPB ao techno e sinalizam a tendência recente do reconhecimento dos produtores musicais e DJs como artistas criativos imbuídos de identidade e autonomia. 

 

 Um Show 
 

Francisco Oliveira; Raça; 07/1998

 

O pontapé inicial da turnê nacional foi dado em São Paulo. Depois, segue para Europa, Estados Unidos, Japão, com o show Daúde#2. Um espetáculo belíssimo e superdançante 

E a Bahia continua dando régua e compasso. Desta vez por meio de uma baiana que, nascida no Candeal Pequeno - reduto de Carlinhos Brown e sua Timbalada -, adotou a cidade do Rio de Janeiro como seu segundo endereço e, num mix de gêneros - que vai do samba ao rap, do jongo à MPB -, nos revela sensualidade, força e presença de palco em um espetáculo dançante que chega às raias do teatral.

A banda - formada pelos músicos Fabiano Araújo (teclados), Ricardo Feijão (baixo), César Bottinha (guitarra), Emílio Martins (percussão), Eduardo Constant (bateria) e pelas performáticas backing vocals Carla Alexandra e Germana Guilherme - faz do palco uma fábrica de sons, um tapete musical onde a diva do pop desfila toda a diversidade de influências presentes em seu trabalho.

Da romântica e introspectiva "Quase", composição de Caetano Veloso e Antônio Cícero, passando pela releitura da dançante "Pata Pata", pelo samba "Idioma Esquisito", de Nelson Sargento, pelo jongo "As Baratas", de Darcy da Serrinha, e desaguando no rap "A Boca Sujou", o espetáculo é luxo só.

E Maria Waldelurdes Costa Santana - nome de batismo de Daúde, que, mais tarde, ganhou o apelido famoso por obra e desarticulação vocal do irmão mais novo, que não conseguia pronunciar Waldelurdes - se impõe naturalmente no palco e prende a atenção da platéia do começo ao fim. A cada canção, uma surpresa, sempre cheia de energia e esbanjando lirismo e sensualidade.

Nunca uma cantora conseguiu reunir em torno de si mesma opiniões positivas tão diversas. O guitarrista Tony Bellotto, dos Titãs, na sua forma de fazer poesia, talvez tenha dado a melhor definição de Daúde e de sua música: "...A voz de Daúde se parece com o nome de Daúde. Vem, ao mesmo tempo, de um navio negreiro e da nave Enterprise, de Jornada nas Estrelas. Pode, e deve, ser saboreada numa passarela em Paris, numa rua em Nova York, numa praia no Rio, num terreiro em Salvador, numa danceteria em Amsterdã... ...Daúde, com sua música elegante, inteligente e dançante, é uma mulher linda. Tem a sensualidade descompromissada de uma pretinha do Pelourinho, o mistério perturbador de uma divindade pagã, o sorriso arrebatador de uma pessoa que sabe o que quer. Mas, melhor do que falar de Daúde, é ouvir e dançar sua música", recomenda.

 

 Sonho Contemporâneo 


Hagamenon Brito; Folha da Bahia; 04/10/1997

 

Daúde lança seu segundo CD: Daúde #2 (Natasha).

 

Produzido por Celso Fonseca e Will Mowat (suíço colaborador do grupo inglês Soul II Soul e habitué de Fernanda Abreu), confirma a promissora revelação que foi sua estréia em 95 e que a levou a colecionar elogios no Brasil, na Europa (França, em especial) e nos EUA.

Daúde, 35 anos, é bonita, elegante, grooventa, inteligente, canta bem e tem, digamos, star-quality para tornar-se sucesso popular, o que todo artista, independente de gênero, deseja. Daúde #2 tem condições para transformar esse sonho em realidade - afinal, quem disse que o grande público só consome vinho Sangue de Boi?

Baiana-carioca, Daúde faz MPopB com um pé no Brasil e o outro no mundo. O novo trabalho dá seqüência à proposta inicial, numa convergência de influências ritmo-culturais (funk, samba, rap, bossa, jongo, drum'n'bass, zouk, Bahia, Rio, Paris) que, transmutadas através de programações eletrônicas, acertam no alvo. Acertam tanto que, entre faixas embaladas (a maioria) e canções neo-românticas, nem precisava de tantas participações especiais: Carlinhos Brown (Pata pata, releitura do hit de 67 da sul-africana Miriam Makeba) Djavan (discreto numa versão apenas correta de Vamos fugir, de Gilberto Gil/Liminha) Herbert Vianna (na belíssima drum'n'bossa Une chanson triste, do próprio HV), Paulinho Moska (Boca, de Moska/George Israel) e os rappers ingleses Jimmy Sponner e Billy Edwards (A boca sujou, de Jovi Joviniano/Fernando Moura), entre outros.

Porém, ninguém parece ter entrado de gaiato na barca de Daúde #2 - os convidados têm a ver com a sinceridade que move a música da anfitriã. Como o sambista carioca Nelson Sargento em Sarambá (samba-amaxixado da década de 20) e Idioma esquisito. Ou o repentista Miguel Bezerra, da feira nordestina de São Cristóvão (Rio), que deu canja no disco de estréia da cantora na embolada Quatro meninas e aparece agora na contagiante Casa caiada (Leo Bit Bit/Boghan/Alaim Tavares), com direito a uma sinuosa guitarra zouk.

A herança musical de quem nasceu no Candeal Pequeno de Brotas, o QG de Mr. Brown (que ainda entregou Lavanda), marca presença também na boa e funkeada Afroolodum multimídia (Lucas Santana/Quito): começa com uma levada de afoxé e vira um irresistível comboio rítmico. A letra é uma visão bem-humorada e esperta sobre a relação tecnológica + indústria musical na Bahia.

Mas, talvez, a música síntese de Daúde #2 (que traz ainda uma feliz parceria de Zélia Duncan e Lucina: Inteira pra mim) seja As baratas (Darcy da Serrinha). É um mix perfeito de tradição (jongo, candomblé) e contemporaneidade (guitarra pop e as programações dançantes de Will Mowat e Ramiro Mussoto): entre esses e outros mundos, Daúde constrói seu sonho musical contemporâneo.

 

 

 O Candeal invade a Europa  


Nadja Vladi (De Paris); A Tarde; 25/08/1996

 

A cantora Daúde chama a atenção de platéias européias e marca presença no novo time da música pop brasileira que cruza o Oceano Atlântico. 

O verão europeu de 1996 está chegando ao final e pode-se afirmar que a música pop brasileira vive um momento de plena efervescência na Alemanha, Suíça e França. Sem grandes estouros mediáticos, a trilha que começou sendo aberta pela MPB de Gilberto Gil e a world-music de Margareth Menezes, descobre, no final dos anos 90, seu caminho mais pop pela antena plurissonora de Carlinhos Brown, na boa resposta de seu primeiro álbum, Álfagamabetizado (Virgin/França), considerado pela mídia como um roots-futurista e que toca bem nas rádios de Paris. Mas não fica só aí. O pernambucano Chico Science também demarca seu espaço junto a platéias mais rockers, com seu rap/maracatu, e o Da Lata, de Fernanda Abreu, marca presença nas pistas afro-funks.

Mas a surpresa ficou por conta da baiana/carioca Daúde, 34 anos, que com seu primeiro disco solo lançado na Europa, mesmo sem a força de uma multinacional como a Virgin, teve uma recepção tão boa como Brown, com críticas favoráveis nas revistas especializadas, músicas há seis meses na programação das rádios francesas Nova e Latina, e participação em diferentes festivais de Verão.

Em uma pausa de concertos entre Amsterdã e Paris, Daúde falou exclusivamente para A Tarde sobre sua entrada no mercado europeu, a Música Pop Brasileira, o encontro com Carlinhos Brown e a vontade de tocar para a platéia de Salvador.

P - Seu primeiro disco saiu em 1995 e um ano após está sendo lançado na Europa. Como se deu esse processo do anonimato a este momento que você está vivendo agora? 
R - Eu Nasci em Salvador, depois fui morar no Rio, porque meu pai foi transferido para lá. Tinha 10 anos, e agora estou com 34. Enfim, meu pai é músico, tocava sax e clarinete em casa, então já nasci no meio da música. No Rio, ainda adolescente, comecei a estudar canto, fazer teatro. Em 1989, direcionei a carreira solo de cantora fazendo aquele caminho natural, Jazz Mania, Mistura Fina, Teatro Ipanema e deu supercerto.

P - E como surgiu o lançamento do disco na Europa e os concertos?
R - O disco foi entregue ao agente, que começou a entregar aos programadores das rádios. As pessoas se interessaram e aí pintou turnê pela França, Alemanha, Suíça, Dinamarca, neste verão. Estou superfeliz.

P - Sua estréia em Paris foi no New Morning - um clube que é palco de nomes prestigiados do jazz e da música latina - para uma platéia especializada e bastante atenta. Qual foi sua impressão?
R - Foi maravilhoso, porque era um repertório novo, mas as pessoas ficaram ali olhando, dançando do jeitinho delas, prestando atenção; a receptividade foi boa. 

P - A Europa está abrindo um espaço para a música brasileira mais pop, não ficando somente no samba e na bossa-nova. O Chico Science fez sua segunda turnê, tem o Carlinhos Brown, Fernanda Abreu, Marisa monte, e você.
R - Eu sinto isso também. Há uma mudança que abre espaço para todos. É claro que a bossa nova vai ficar, porque ela é primorosa, é uma música de qualidade, e o que é bom não desaparece. Ela abriu caminhos até para eu chegar aqui, fez a MPB ser reconhecida.

P - Você acha que a imagem do Brasil no exterior está associada à música?
R - Acredito que a música é a porta aberta pro Brasil. É muito forte essa relação do europeu com a música brasileira, a gente tem um grande trunfo nas mãos, até politicamente isso teria que ser melhor trabalhado, levado mais a sério. Acho que as pessoas têm um respeito muito grande pela MPB, e isso é muito gratificante. 

P - Você é baiana, mas ainda não tocou em Salvador, por quê?
R - Salvador tem aquela coisa de grande massa, acho que ainda não atingi essa massa, mas tenho certeza de que vou chegar lá. A popularidade vem com o tempo, não é uma coisa que me deixa ansiosa, porque estou trabalhando muito. Tocar lá é um caminho natural, as pessoas têm interesse. Enfim, vai ter um dia que vou ter que ir pra lá, não é possível, né?

P - Como é sua relação com Salvador e Carlinhos Brown que fez uma música (Véu Vavá) para seu disco?
R - Eu nasci no Candeal, onde ele nasceu também, mas só depois é que vim descobrir que o Carlinhos era o Brown da Timbalada. O Celso Fonseca, que produziu o meu disco, estava com o Brown e comentou que estava produzindo o disco de uma cantora chamada Daúde; aí ele falou que era a filha do 'seu' Vavá e começou a falar do meu pai, que é uma figura muito interessante, que ele respeita muito como profissional, sempre respeitou. O Celso já tinha a música e Brown fez a letra, assim nasceu Véu Vavá.

P - Então vocês se conheceram ainda crianças, no Candeal?
R - Pequenos, só que eu não lembrava dele. Fui saber quem ele era a partir deste momento.

P - E como foi esse encontro?
R - Ah, foi legal, muito natural, muito musical, foi a música que aproximou a gente, a música e meu pai, né? Eu acho assim divino essas coisas ...

P - E sua relação com Salvador, musicalmente, além de Carlinhos Brown, passa por Caetano Veloso, Gilberto Gil também?
R - Claro. Salvador foi o lugar que me aplicou as coisas, né? Na verdade, já ouvia muitas coisas de MPB. Em Salvador a cultura musical local era muito forte, quando me mudei para o Rio era a música americana que dominava. Então fui agraciada porque tive duas culturas, a do Rio, que é uma cultura musicalmente forte, com o samba, o funk; e Salvador, que não é preciso nem te explicar o que é!

P - Como você vê a cena musical baiana atual?
R - É muito diversa. Como em todo lugar, tem a coisa comercial, mas tem coisas maravilhosas. Tem um movimento novo da MPB onde Salvador está superinserida, e tem gente nova surgindo também no Rio, Paraíba, Recife. É a ebulição de um movimento, porque todo mundo ouviu as mesmas coisas, tem as mesmas influências e chega uma hora que isso explode.

P - Você acha que tem uma unidade nessas coisas todas que pipocam nos vários lugares do Brasil?
R - Eu acho que tem um inconsciente coletivo agindo aí.

P - Você se sente mais próxima da linha de cantoras como Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, Zélia Duncan, ou estaria mais inserida em um movimento da Música Pop Brasileira, do qual fazem parte Chico Science, Planet Hemp, Skank?
R - Acho que é outra maneira de estar no palco. Marisa, Zélia, Cássia Eller têm uma grande importância na música brasileira, mas são estilos diferentes, um jeito de cantar diferente, com músicas diferentes. Acho que a minha diferença é querer atingir todo mundo, eu quero ser pop mesmo, é o que me interessa.

 

 Sonoridades recicladas 


Jamari França; Jornal do Brasil; 18/04/1995

 

Daúde leva ao palco as misturas exóticas de seu CD de estréia 

A baiana Daúde mostra hoje no Jazzmania a interessante mistura de rap, música regional, MPB, e dance do CD de estréia, que ostenta seu nome. Ela leva para o disco uma sonoridade tão exótica quanto sua aparência física intrigante e ambígua, que reforça o nov perfil que a música brasileira vem assumindo nesse meio de década, com sonoridades recicladas de modo inteligente.

Com uma voz quente, Daúde transforma Vida sertaneja, de Patativa do Assaré, num rap com sons de pífanos sintetizados. A riqueza dos versos singelos ganha uma roupagem eletrônica que a atualiza e joga para cima.
O mesmo acontece com a faixa de abertura, Marinheiro só, da grande Clementina de Jesus, só na percussão com efeitos de looping e uma irônica risada masculina. 

Chove chuva, de Jorge Bem Jor, também sofre uma transformação com uma levada em cima da caixa da bateria que lembra muito algumas músicas de Sinnead O'Connor. A mesma música volta no final numa versão acid rain dançante: ritmos brasileiros somados ao baticum dos gringos. Quatro meninas é outro momento genial do disco, um repente que funde o cantador Miguel Bezerra e Daúde com bateria eletrônica programada pelo produtor Celso Fonseca. Daúde também funciona bem num som mais comportado, arrasando na lenta O pensador e na sincopada Hoje eu quero sair só. 

Daúde baixa no mercado musical juntando-se a tantos que vêm redefinindo a sonoridade dos nossos vários Brasis, dos pernambucanos da Mangue Beat aos mineiros do Pato Fu e os cariocas do Plant Hemp, mais Cássia Eller e Zélia Duncan. 

 

 O irresistível suingue que a baiana tem 
 

Mauro Ferreira; O Globo; 24/10/1991


Não será por falta de boas cantoras que a música brasileira ficará na mesmice. O show que Daúde (re)estréia hoje no Mistura Up - em cartaz durante duas semanas - revela uma intérprete segura. Daúde é original. Sua voz negra tem um suingue irresistível, que renova um repertório formado majoritariamente por canções conhecidas. A cantora baiana tem uma ótima presença de palco e - de forma às vezes teatral - valoriza músicas que, em outras vozes, até poderiam passar despercebidas. 

Daúde causa impacto - tanto pelo visual (que lembra Grace Jones) como pelo charme e afinação com que canta músicas inéditas e recria hits. "Totalmente demais", por exemplo, ganha na sua leitura a melhor versão. Daúde insere até compassos de rap no besteirol debochado de Arnaldo Brandão e Tavinho Paes. A cantora domina o ritmo com uma segurança incomum, enchendo de suingue até um baladão como "Pó, amar é importante". Os arranjos de Márcio Melão são criativos e até ousados ("Babalu" ressurge no show com outro ritmo, tão interessante quanto o original). 

O suingue comanda o show, mas Daúde é, antes de tudo, uma cantora afinada. Ela mostra isso ao interpretar melodicamente "Everytime we say goodbye", canção de Cole Porter. É o único momento calmo do espetáculo, que mantém o pique com as releituras demolidoras de "Cocaína" - samba "amaxixado" de Sinhô, composto em 1923 - e de "Oh moon of Alabama", canção de Kurt Weill, que evolui para funk na leitura de Daúde. 

Não bastasse ter ritmo, Daúde transporta o variado repertório para o seu universo musical. Ela recita vigorosamente um texto de Patativa do Assaré num misto de rap e repente nordestino, logo após ter impregnado de energia a versão que Tavinho Paes fez para a canção "500 miles". Assim como Cássia Eller, Daúde tem em cena uma postura titânica - evidenciada com a performática interpretação para a música que encerra o espetáculo.

 Wanderlust UK 

Something original from Brazil At last some catchy and original tunes from a country that seems to have an endless supply of tiresome bossa nova beats. Daúde creates popular music that blends Latin and African music with rock, hip-hop and dance flavours - the kind of stuff that we would lap up over here if she was singing in English.. though it sounds sexier in Portuguese.

 

 Orange County Weekly USA  

Daúde tames all the rhythms of Brazil into a coherent album on Neguinha te Amo (Black Girl, I Love You), and still injects radical politics not seen in Brazilian pop music since the zenith of tropicália in the late ’60s... More important, though, the racial politics of Neguinha te Amo is rhetorical dressing for the actual music, an ever-jiggling euphony of Brazilian instruments of every hoot and echo romping around electric organs, guitars and an icy-cool drum machine scaffold. Daúde also borrows wonderfully from African-American neo-soul, especially on the dreamy, sexy "Sans Dire Adieu." Neguinha te Amo is black power at its most grooving.

 

 

  Straight No Chaser UK 

...the Salvador born singer draws on influences from the 'exterior' and mixes it up with the sounds of her homeland inot something slightly off key and in places rather beautiful. Fresh from her performance at this year's Womad, the stunning Maria Waldelurdes Costa de Santana Dutilleux is after your head as well as your heart.

 

 

 SongLines UK 

'A truly unique voice on the mainly white dominated Musica Popular Brasileira (MPB) circuit, Daúde effortlessly fuses her African roots with light pop sensibilities and funky dance beats...Already a big star at home with a Brazilian Grammy to her name, Daúde sought the talents of acclaimed producer Will Mowat to add a slick international production flavour to tracks such as ‘Ilê Ayê’ and the funky tropical sound of E Foi Mamãe Que Me Disse '. The result is an extremely polished and hugely enjoyable album of MPB diversity and Brazilian sexiness.'

 

 

 Billboard USA 

This is Daúde's US debut, and it is a fascinating effort. ...the album consists of songs that, according to Daúde, pay tribute to Brazilian women and their strength. Daúde's sound is distinctive in that she seems to be comfortable working both American styles like hip-hop and rock and African beats with Brazil's Musica Popular Brasileira (pop/roots) vibe. Add to this the proto-feminist nature of her lyrics and a little samba - this is Brazil after all - and you have very current, very danceable Brazilian music. Cue up "Naja", a tune that exemplifies nearly every element of Daúde's groove in four tasty minutes.

 

 

 Los Angeles Times 

USA Working closely with veteran producer Will Mowatt (Soul II Soul, Angelique Kidjo) Daúde has blended Brazilian music with pop forms in a fashion recalling the more attractive efforts of the Tropicalia movement of the '60s. Versatile and imaginative, she raps, she sings with a dark sensuous sound, and she brings a vigor and believability to the music that effortlessly sets aside stylistic boundaries.

 

 

 BBCi UK 

Neguinha Te Amo reveals a mature, unique female voice... she manages to fuse the quintessential Brazilian languorous sensuality and innate vivacity with a muted dance beat of blips, beats, samples and 'deconstructing' rap-narratives... At her best this Bahian singer takes you to impossible beaches lit by fizzing neon, to retro 70s bars shimmering with beautiful people and onto Varig flights attended by demure Angolan stewardesses... With Real World's peerless production values matching Daúde's raw talent and scintillating voice, Brazil is back, inimitable, beyond fakes and fads, and very, very stylish.

 

 

 Daily Express UK 

Forty years since the birth of Bossa Nova and Brazil continues to turn out some of the world's most exciting musical forms. As one of the few black women active in popular Brazilian music, Daúde goes a step further with her effortless fusion of Brazilian pop, African rhythms and driving beats. The result is a funky, soulful record sounding like a new twist on classic material.

 

 

 The Guardian 
(26 de Setembro, 2003)

"...a spirited quest to find a new attitude and style for black Brazilian music....The beats, samples and bleeps seem to grow organically from the songs, rather than being grafted on as a trendy afterthought....The African elements also enhance the commerciality of the album...Daùde is a strong performer. Her brief gig at Club Womad this summer was a highlight of the festival..."

 

 

 HMV Choice 
(Setembro/Outubro, 2003)

"Before her brief but infectiously joyful performance at this year’s WOMAD festival in Reading, Daùde was a virtual unknown in the UK, despite being a celebrated artist in Brazil....Neguinha Te Amo is frothy, funky and languorously sensual pop... Samba, drum & bass and various exotic touches permeate this warm upbeat album... a sure fire party record, though it also has roots, depth and subtlety."

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